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Mostrando postagens de Julho, 2011

ensaio VIII - transliterações do além mar

Caro leitor, narrarei um encontro. Um encontro único, daqueles que quando acontecem criam uma dança silenciosa e interior. Era noite, estava a caminho de casa quando aquelas palavras impressas no livreto chegaram às minhas mãos. “Leia, você vai gostar”.  Sem me deixar influenciar por tal afirmação, guardei o objeto na minha bolsa.
Em casa, repouso o livro sobre a cama. Não se espante, mas pela primeira vez na vida, tratei o objeto como um ser, sabia que aquilo não se tratava de um simples livro. Sobre a manta azulada, observo as ilustrações da capa. Aquele livreto atravessou o oceano para chegar até ali. Eu era parte daquele mar, as narrações daquele romance poetizavam e se imprimiam dentro de mim.
O que em comum eu tinha com o autor daquelas palavras? A língua. Sem traduções, sem sabermos um do outro, aquele livro nos aproximava. Dentro de mim surgia algo maior que eu não sabia explicar como e por que. Mais do que gostar, passei a caminhar naqueles traços.
A cada abrir de páginas: mais…
saudade é o vento que passa entre os corações

noscantos

um dia me pediram perdão eu fingi que perdoei surda de mim mesma fugi poeira, sujeira, lágrima parada no canto encantos tempo... hoje diante de tantos encantos observo as palavras tentam escorrer por entre os dedos tempo pego uma a uma afago e faço sentidos dentro de mim ecoa: eu te perdoo eu me perdoo