eu aprendo a afinar o silêncio dentro de mim
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espero que chegue sem bater à porta, me surpreenda sem flores nas mãos, presenteie sem cancões, me encante espero sem grandes expectativas, aguardo sentada, deitada, na caminhada um encontro casual quem sabe olho para os lados o olhar atravessa a janela horizonte pôr do sol, chuva, noite ainda espero me distraio, há muita coisa para ser vista vou navegando, me des-embaraçando na rede rede, textos, tecidos a vista cansada, fica entrelaçada me revisito ainda espero sem saber quando, percebo que voc ê chegou pode ficar, aqui, comigo mantenha meus dedos vivos, eles querem tocar são ágeis como as mãos do pianista organize minha ideias, com maestria agora que chegou, fique eu fico a sua presença me dá prazer
ensaio VII -
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As quatro tiras de madeiras em comunhão com a superfície lisa e laminada formam o quadro-portal das vaidades cotidianas. Em meio aos adesivos, fotos e trechos de poesias Ela-Eu se projeta nos sonhos e reflexões. Atrás de si, a parede lilás revela a vontade de quem um dia quis a transcendência. Na ação cotidiana, Ela-Eu respira e observa os traços da história. Há quanto tempo não se observava com tamanha curiosidade? O que de novo Ela-Eu pode se revelar? O que muda neste estado riacho da vida? Ela-Eu percebe os rastros da passagem do tempo, a pele cor terra, barro pisado recebe o relevo dos moldes pelas mãos de um deus qualquer. Longe de ser beleza padrão, o negro da pele contrasta com o branco que protegem os olhos-jabuticabas que deixam escorrer a paz e alegria. Sem negar o empapuçado de quem acabara de acordar, o rosto carrega o calor da cama. Enquanto Ela-Eu se observa, desperta em si-mim a vontade de auto-tradução. Honrado leitor, veja como Ela-Eu traz consigo a vaidade e indiv...