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ensinações

corpo regado em preparo para o descanço, vejo as águas desenharem as curvas...orvalho na pele deslizam suamente e criam espumas...questiono-me sobre o amor e o meu amar... "o amor não acaba, a gente que deixa de enxergá-lo"...em meu ensimamento, me vejo banhada em amor, me despeço da cegueira e me vejo: amante e viva...graças a Deus!

um pouco de mim através do outro...

O meu olhar [Alberto Caeiro] O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de, vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... Creio no mundo como num malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender ... O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar ... Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar...

líquida

amante líquida, dançarina dos ventos, chama que arde em segredos numa vida tecida nas idas e vindas da cidade cosmopolita... caminha ao encontro de um destemido... saudosa do que ainda está por vir...

avesso

Meu avesso, te encaixo em meus versos para me entreter. Passado o tempo, vejo-me cada vez mais em você, atravesso os dias a procura de repostas, palavras que nomeiem tanto amor e gratidão pela sensação de ser traduzida no mínimo gesto, através do olhar que sorri...

ações transitivas, pouco explicativas

Cansada, mente fatigada, corpo a espera de conforto e calor... do meu calor, do seu calor... a espera de algo que aconchegue o dia-a-dia. Dias e dias preenchida de vida em busca de palavras que nomeiem o simbólico desse meu viver... cansada de objetividade, dos mecanicismos corriqueiros, de uma rede que me engedra virtualmente, sufoca minha mente... espero encontrar ações terminadas em ar... arriscando-me na corrida da vida que gira, na gira do mundo busco meu "cosmos" e caminho ao que me fortalece, ao encontro daquilo que acredito e quero ações transitivas concluidas em er... simplesmente ser...

quando ele aparecer...

Maravia Ô maravia ô maraviá O amor dos outros chega e o meu não quer chegar Quando ele aparecer meu coração vai parar Ai ai ai ai .... vai parar Ai ai ai ai .....vai parar Eu inda vejo todo dia no riacho Quando chega a boquinha da noite Eu deito debaixo do umbuzeiro Eu fecho os óio ele entonce me aparece O meu corpo se estremece Fica queimando que nem um braseiro... (Dilú Melo / Jairo José)
numa folha em branco, palavras se jogam para dançar poemas...sem se saberem na ordem, desorganizam-se, entoam alguns cantos, rememoram. Confundem-se, a verdade se engraça e se esconde na brincadeira, não se sabem... se inclocuem na exatidão daquilo que lhe é reto...oblicam-se no pára-peito da varanda para ver vidas que passam e se carregam junto ao ar... palavras traçam a transparência dos corpos que caminham em busca do encontrar....